Koyaanisqatsi — A Vida em Desequilíbrio
Um filme reflexivo. Assim poderia ser definido Koyaanisqatsi (1983), título praticamente impronunciável provindo do hopi “vida desequilibrada”. Mas o documentário poderia, adicionalmente, ser determinado como uma obra-prima visual, exploradora da nossa interpretação com relação ao tempo, à tecnologia e à modernidade em si.
Pois, essa é melhor síntese para uma película que, em suas duas horas, não apresenta um diálogo sequer. As descomunais belas imagens, que seguem à risca a velocidade da trilha sonora (ora lentas, ora frenéticas), funcionam muito bem para a imersão do espectador no caráter meditativo do filme. Paradoxalmente, as mesmas pessoas que compõe a sociedade impaciente, cujos carros aceleram nas rodovias e que destroem o que for preciso para construir algo maior e mais moderno, são as que são instigadas à reflexão sobre a própria relação com o tempo.
As duas horas do filme funcionam como um botão de “pause” para o ritmo da própria vida, levando cada um a questionamentos sobre seus valores. Alternando imagens naturais com imagens da megalópole, somos inclinados a pensar sobre nossa relação, geralmente desarmoniosa, com a natureza. Exibindo as mais variadas tecnologias e o frenesi que dela advém, pensamos se realmente aproveitamos nossa existência. Pensamos, ademais, se é essa a sociedade em que queremos passar o resto de nossos dias.
Aparentemente inofensivo, Koyaanisqatsi faz o que, atualmente, é o mais difícil em qualquer atividade: induzir ao pensamento pessoal sobre o mundo que cerca. Nisto reside o maior mérito do filme: indubitalvemente, as perguntas que cada um faz a si mesmo durante o filme são bastante próprias e oportunas.