Sobre conhecimento (e devaneios)
O comentário do Jones no post Inovação, Cultura e devaneios, em que ele pergunta se “nunca se imaginaram, ou até mesmo pensaram como deve ser bom estar entregue as trevas da ignorância?” me fez lembrar de alguns debates que já tive com amigos e que iam de encontro justamente ao que ele questiona.
O Jones é meu amigo de longa data, e sei muito bem que quando ele se diz culto e politizado é porque, de fato, ele o é — e bastante, diga-se. Mas eu me questiono, diversas vezes, se não superestimo o que sei e, por consequência, superestime a mim mesmo. Talvez o Jones concorde com isso e com o exemplo que segue.
Considero que entendo e me preocupo razoavelmente com política, para citar um assunto, e invejo aqueles que são alheios a tudo. Parecem-me mais felizes, despreocupados, assim. Invejo, repito. Porém, coloco-me no lugar de algum político, um deputado, um senador, ou até um vereador. Será que ele não pensa que EU é que sou feliz, por não saber “da missa a metade”, isto é, apesar ter ideia de como são as coisas, mas não saber com propriedade? Será que eu soubesse como funcionam, na prática, os lobbies, eu não seria ainda mais insone e desacreditado com o mundo?
Novamente, penso que dou excessivo valor àquilo que sei, e que provavelmente nem seja tanto assim. Às vezes, fico pensando naquela frase célebre que se atribui a Sócrates, “só sei que nada sei”, e fico desconfortável. Eu sei, a sério, que nada sei? Meu parecer é negativo: eu deveria ter mais humildade, não só da boca para fora, perante os assuntos que me cercam e ter a consciência de que eu possivelmente esteja errado.
O que serve para este post, inclusive, que não é uma verdade absoluta.