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Coisas novas: livros, artigos e coisas afins

Ah, a relatividade do tempo. Foi Einstein quem postulou, mas sou eu quem a utiliza com mais frequência.

Pois, na segunda-feira passada eu havia prometido “amanhã” um texto sobre o que andava lendo. Hoje, uma semana depois (mas faça de conta que é terça-feira, dia 7 de abril.), finalmente me incumbi da tarefa.

Mas tergiverso. Segue, então.

Basicamente, minhas leituras seguem o mesmo padrão das músicas e da minha vida: em outras palavras, de lógica tem pouco. Afinal, curso Ciências Econômicas, trabalho como Gerente de Projetos de Internet em uma agência de propaganda, e leio sobre uma diversidade de assuntos ainda mais ampla.

Além dos (apenas por enquanto, espero) desafiadores livros de Economia Matemática, sigo a passos demorados, cuidadosos e repletos de satisfação com Em Berço Esplêndido, do ótimo J. O. de Meira Penna. Em um deficiente resumo: uma obra de psicologia coletiva nos moldes de Carl Jung, em uma profunda análise dos mitos que incorrem naquilo que o brasileiro é e se vê.

Incitado por esse livro, aliás, fui buscar mais de Carl Jung nessa imensa biblioteca que é a Internet. O Google, que é mais veloz que os estagiários para buscar um livro na estante, me brindou com alguns bons textos sobre tipos psicológicos. Achei interessante, e certamente usarei para construir minhas personagens no dia em que for (se de fato for) escrever um romance.

Além disso, recomendo fortemente a série sobre o percepção do gosto e do belo, que a Charô vem publiocando periodicamente no seu blog. Análise de quem entende, estuda e se interessa, é um oásis para aqueles, como eu, que não tiveram a sorte de um estudo formal, sério e sensibilizador de Arte.

Há, é claro, muitas coisas mais, como as percepções do Zanatta sobre inovação, o agradável El Niño con el Pijama de Rayas (que leio para treinar o Espanhol, que anda um pouco claudicante) e o incipiente estudo sobre a massificação do pop e do rock no século XX.

No entanto, tratarei de todos esses assuntos em um momento mais oportuno e com mais profundidade. Mas esse momento, vocês, oito (ou três) fiéis leitores, sabem que pode demorar meses — ou aparecer amanhã mesmo.

Coisas novas: música

Como habitual, fui dar uma volta, mas voltei. Com uma semana repleta de provas e deveres, não resta muito espaço de tempo para teorizações quaisquer. O pouco que sobra, usa-se para alguns deleites, como a música, a leitura, museu e filmes.

Assim, a semana será destinada a escrever sobre isso — amanhã, escrevo sobre livros e artigos; no decorrer da semana, sobre Cinema e a visita ao Museu Iberê Camargo; e, hoje, um pouco sobre o que vem chamando a atenção auditiva, após a espetacular apresentação do Radiohead (que dificilmente sai da playlist, a propósito). Segue, então, e espero que gostem ou, mesmo, xinguem-me.

»» Tenho conhecido (e apreciado) o post-rock da banda japonesa MONO, especialmente do último álbum, Hymn to the Immortal Wind, que me lembra bastante os islandeses do Sigur Rós na beleza das melodias. Aliás, a exuberância dos videoclipes de ambos lembram, ainda que em menor escala, o impressionismo de Monet, seja pela natureza, pelas cores (mais o Sigur Rós, neste caso) ou pelo rompimento com o habitual.

»» Também ando ouvindo o electro-rock (ou qualquer coisa assim) dos australianos do Midnight Juggernauts. Letras (ou devaneios) que remetem ao imaginário um tanto alucinógeno de viagens espaciais, galáxias distantes e outras dimensões, tudo numa mescla bem dosada de sintetizadores e elementos tradicionais do rock. Algo “2001 — Uma Odisseia no Espaço” ou “Guia do Mochileiro das Galáxias”, talvez.

»» Mais pé-no-chão, com letras e melodias fortes, o último álbum do grupo goiano Violins, Tribunal Surdo, que o Henrique Oliveira me apresentou, é uma das mais gratas surpresas dos últimos dias. Socialmente engajadas, as bem escritas e sarcásticas composições são um soco (com soco-inglês) no estômago da hipocrisia e dos valores modernos.

Atenção, atenção!
Prestem atenção ao que vamos dizer
Nós somos o Grupo de Extermínio de Aberrações
de toda sorte que você possa conceber
vindo até vocês pra pedir
qualquer quantia que se possa fornecer
e eu garanto que seus filhos agradecem
por crescer sem ter que conviver
com bichas e michês
e pretos na tv

Enfim, é uma lista de músicas um tanto peculiar, digamos assim — o que tenho ouvido segue o dito “bate e depois assopra”. Não necessariamente nessa ordem.



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