Champagne e caviar (em 10x sem juros)
Dentre as muitas atitudes que considero ridículas, acho que a ostentação é a que melhor representa a futilidade da sociedade, sobretudo da cidade em que nasci. Uma sociedade que se deslumbra consigo mesmo e vangloria-se dos méritos que não possui. Pois, um conjunto de pessoas que sente necessidade de utilizar grifes para mostrar-se bem-sucedido e interessante pode ser qualquer coisa, menos digno de interesse e superior.
É bom deixar claro: absolutamente, não sou contrário às marcas. Prefiro Coca-Cola, gosto de boas roupas e perfumes, mas há uma clara diferença entre preferir algo e não ter consciência além da ideia vendida na propaganda da televisão. Se gosta do design da Adidas, ótimo; se prefere outra marca, Nike, Diadora, Armani, algo mais alternativo, sei lá, tanto faz, que seja feliz com seu estilo e consciência.
O detalhe é que, geralmente, tal escolha não se faz pelo estilo ou qualidade, mas simplesmente pelo preço. Enquanto vemos pessoas que têm dinheiro e são simples, vemos também, e mais ainda, outras que hipotecariam a casinha do cachorro para poder comprar uma camiseta de marca.
Aparência é importante, sim — todas as pessoas querem conforto ou, mesmo, luxo. Porém, questiono: é essencial, superando ética, valores e uma certa dose de inteligência?
Tenho alguns julgamentos, e até preconceitos, com relação à soberba — para mim, a ostentação serve para maquiar uma ausência brutal de conteúdo e fantasiar mais sucesso (ou, até, fantasiá-lo completamente). Curioso é que, para a maioria das pessoas, tais modos são bem-vistos. Quer dizer: no fim, talvez a arrogância seja uma virtude moderna e eu não sabia.