Archived entries for rock

Coisas novas: música

Como habitual, fui dar uma volta, mas voltei. Com uma semana repleta de provas e deveres, não resta muito espaço de tempo para teorizações quaisquer. O pouco que sobra, usa-se para alguns deleites, como a música, a leitura, museu e filmes.

Assim, a semana será destinada a escrever sobre isso — amanhã, escrevo sobre livros e artigos; no decorrer da semana, sobre Cinema e a visita ao Museu Iberê Camargo; e, hoje, um pouco sobre o que vem chamando a atenção auditiva, após a espetacular apresentação do Radiohead (que dificilmente sai da playlist, a propósito). Segue, então, e espero que gostem ou, mesmo, xinguem-me.

»» Tenho conhecido (e apreciado) o post-rock da banda japonesa MONO, especialmente do último álbum, Hymn to the Immortal Wind, que me lembra bastante os islandeses do Sigur Rós na beleza das melodias. Aliás, a exuberância dos videoclipes de ambos lembram, ainda que em menor escala, o impressionismo de Monet, seja pela natureza, pelas cores (mais o Sigur Rós, neste caso) ou pelo rompimento com o habitual.

»» Também ando ouvindo o electro-rock (ou qualquer coisa assim) dos australianos do Midnight Juggernauts. Letras (ou devaneios) que remetem ao imaginário um tanto alucinógeno de viagens espaciais, galáxias distantes e outras dimensões, tudo numa mescla bem dosada de sintetizadores e elementos tradicionais do rock. Algo “2001 — Uma Odisseia no Espaço” ou “Guia do Mochileiro das Galáxias”, talvez.

»» Mais pé-no-chão, com letras e melodias fortes, o último álbum do grupo goiano Violins, Tribunal Surdo, que o Henrique Oliveira me apresentou, é uma das mais gratas surpresas dos últimos dias. Socialmente engajadas, as bem escritas e sarcásticas composições são um soco (com soco-inglês) no estômago da hipocrisia e dos valores modernos.

Atenção, atenção!
Prestem atenção ao que vamos dizer
Nós somos o Grupo de Extermínio de Aberrações
de toda sorte que você possa conceber
vindo até vocês pra pedir
qualquer quantia que se possa fornecer
e eu garanto que seus filhos agradecem
por crescer sem ter que conviver
com bichas e michês
e pretos na tv

Enfim, é uma lista de músicas um tanto peculiar, digamos assim — o que tenho ouvido segue o dito “bate e depois assopra”. Não necessariamente nessa ordem.

Radiohead (ou Um Post para Agradecimentos)

Confesso que pensei em várias introduções para este post, mas nenhuma me agradou plenamente. Acho, então, que é melhor eu simplesmente deixar as ideias fluírem. The best you can is good enough

Fui para São Paulo no último final de semana. Intuito: o tão aguardado show do Radiohead, minha banda favorita há uns bons anos (talvez desde que o Tiago, lá por 2001, nos meus 15 anos, me apresentou o The Bends). Sempre disse a meus amigos que a única banda que me faria viajar para fora do Rio Grande do Sul para assistir a um show era o Radiohead. Don’t get any big ideas/They’re not gonna happen.

Pois, 2009 foi o ano escolhido para a primeira apresentação dos ingleses em terras onde canta o sabiá. E eu não iria, especialmente porque o custo era alto. Já estava meio resignado — ou meio indignado, não sei. Dúvidas. It wears him out. O Leo, meu melhor amigo desde que me conheço por gente, incentivava, e até ofereceu empréstimo. Mas não dava.

Porém, quando menos se espera, o mundo conspira a favor dos planos e I feel my luck could change.

Digo isso porque a Samira, uma dos fiéis oito leitores deste blog, surpreendeu-me completamente ao enviar uma carta com o ingresso para eu ir ao show. Não acreditei, e acho que ainda não acredito completamente. Digo isso porque eu a Sami não nos conhecemos, senão por ela ter acessado este blog, sentido-se à vontade e começado a trocar e-mails comigo. Nunca nos vimos, nem sabemos como é a voz de cada um. Porém, penso, talvez saibamos mais um do outro do que as pessoas que conosco convivem…

Fato é que me senti ainda melhor — não pelo ingresso, que, claro, me deixou feliz, mas mais ainda por perceber que minhas opiniões, geralmente tão insignificantes, parecem ter verdadeiramente um significado para a Sami. I wish I was special/…/You’re so very special.

Bem, vi que realmente eu não poderia recusar a sorte que se oferecia, o pedido em forma de ingresso da Sami para que eu me divertisse. Conversei com o amigo, e muito por acaso chefe, Eurico a respeito: “pega folga na segunda-feira. Vai e curte. Valerá a pena”. Sorriso de orelha a orelha, o meu.

Depois disso, comuniquei meus pais que não voltaria para casa, no interior, no final de semana seguinte, pois iria para São Paulo. Convencer minha mãe de que tudo ficaria bem, there was nothing to fear and nothing to doubt, não foi tarefa tão fácil. Sorte ter em casa uma irmã tão gente-fina e boa argumentadora, mesmo que nos seus 13 anos, como a Rafaela. Nunca imaginei que minha maninha um dia me ajudaria a tornar as coisas mais fáceis em casa…

“Só” faltava, então, ir para São Paulo. Como? Avião, era a lógica. Mas não custava dar uma olhada no Orkut, para ver se não iriam algumas pessoas de Porto Alegre para lá. Aí que descobri uma excursão cujo destino era o show do Radiohead. Jigsaw falling into place. Conheci a Natascha, gentil, responsabilíssima e inteligente, que organizava tudo. Well, no alarms and no surprises.

Superando minhas expectativas, geralmente tímido que sou, senti-me muito à vontade na excursão. A turma do andar de baixo do ônibus foi simplesmente sensacional: Patrícia (a simpática crítica de cinema), Thaís (a sensacional companheira de horas de show e divagações), Thiago (o extrovertido admirador de Bukowsky), William (o supereducado fotógrafo), Cristiano (o inteligente introvertido), Verônica (a educadíssima menina do último gole de cerveja [heheh]) e Nauti (a sorridente, elétrica e jovial), além da já citada Natascha.

Ah, sim, o show: ainda não sei definir. Uma experiência indescritível, um espetáculo, um épico. Todos os bons adjetivos não me parecem suficientes para expressar tudo o que ele significou para mim. All my lovers were there with me/all my past and futures.

Tudo isso pode ter soado piegas, mas é por demais sincero.
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