Inovação, Cultura e devaneios
O Zanatta e eu estamos debatendo bastante, nos últimos dias, sobre inovação. Somos muito amigos, mas raramente corroboramos opiniões sem antes esmiuçar o debate. Talvez seja o maior mérito (ou problema) de nossas conversas, o fato de elas não se restringirem a um único tópico, e sempre derivarem para outros. Nessa discussão, por exemplo, que inicialmente era de ideias sobre inovação, passamos a devaneios sobre cultura e sua importância, entre outros assuntos relacionados.
Ele, que anda estudando com afinco características e consequências da inovação para o desenvolvimento empresarial ou, lato sensu, dos países, sustenta, embasadamente, que o Brasil é um país que muito pouco investe em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Por fatores culturais, muito provavelmente, pensamos; de psicologia coletiva derivada de mitos insconscientes, penso eu após algumas leituras (mas falarei sobre isso daqui a algumas semanas). E começamos a falar sobre cultura geral, geralmente tida como supérflua pelo seu aspecto pouco prático, ou, em outras palavras, por não dar dinheiro. É a visão que se tem, no nosso país, e basta olhar para os quartos e salas dos apartamentos: ninguém lê, nem pesquisa, nem assiste bons filmes, provavelmente porque não vejam benefício na atividade.
No entanto, acho que embora o fato de uma pessoa ser culta, erudita, não traga vantagens imediatistas, creio que, indiretamente, esse é o principal propulsor para um desenvolvimento estável, não oriundo simplesmente da sorte e das conjunturas. Julgo necessário, enfim, uma massa pensante para que se construa o novo, se desconstruam conhecimentos, dogmas, óbvios.
O pensamento mais perspicaz e contestador, característico da reflexão, leitura e experiência, muitas vezes marginalizado, no fim talvez seja o fator primordial para uma sociedade que almeja desenvolvimento. É um dos desafios brasileiros — e globais — modernos, para além o pós-moderno: criticar. Só se pode criticar e criar o novo quando se sabe, ou se tem noção, de onde viemos e de como é o ambiente que nos cerca, suas manifestações e anseios. Temos, então, uma pequena inversão de lógica: se antes a cultura era encarada como bem supérfluo, agora, deve se tornar um “mal” mais que necessário — e urgente.
é isso aí!
o post de ontem (25/o3/2009) aborda um pouco disso também… a partir de agora as empresas vão começar a procurar indivíduos que tenham um conhecimento cultural mais abrangente. Conforme um entrevistado, o nível de cultura das pessoas propicia uma melhor diagnóstico da situação e consequentemente uma melhor tomada de decisão.
Ou seja, se antes o que se via como cultura era o “inglês” e uma boa característica do candidato o saber tomar decisão, o que vemos AGORA é um passo ainda mais profundo, digamos assim, no sentido de que o nível intelectual vai propiciar que a “tomada de decisões” seja elevada.