Notas de um jovem (não tão) rabugento

Imediatamente após ler o último post, Notas de Um Jovem Rabugento, o Zanatta tascou: “Nada a ver, Rafinha! Tu é um dos caras mais pops que tem; cumprimenta e faz questão de cumprimentar todo mundo que tu conheces. Fica meia hora cumprimentando gente em uma festa!”. Respondi, de imediato, que talvez eu fosse “popular”, mas com uma popularidade muito superficial.

Pois, de fato conheço muito gente e trato-as, quase sem exceção, muito bem. Um parantêses: sem querer entrar na velhíssima discussão que se faz entre pessoas que se conhece e pessoas que são, de fato, amigas, digo que considero muito pouca gente como sendo minha amiga. Fecha parênteses. Contudo, se faço questão de trocar meia dúzia de palavras com as pessoas, é tão-somente isso, literalmente, trocando frivolidades. Um “oi, tudo bem? O que tem feito? E a faculdade, continua?”. E, geralmente, termina por aí.

Sinto que as pessoas sentem-se bem com esse interesse, mesmo que não seja profundo, e por isso sigo dando o pouco de atenção que é possível. Deixo as conversas mais longas, as verdadeiros curiosidades que me são caras, as digressões filosóficas, os debates político-econômicos, o esquema tática da Holanda de 74, os sentimentos e as resenhas literárias para aqueles que realmente tem algo a ver comigo. Então, não é que eu seja um introvertido contumaz e insociável, mas, fazendo um auto-elogio, um introvertido simpático, que gosta das pessoas e quereria poder mudá-las.

Esqueço, porém, que sou imperfeito e que quem deveria mudar, na verdade, sou eu. Afinal, se o mundo não te compreendes e tu não compreendes o mundo, alguém está errado — e a resposta, como que auto-ajuda, é totalmente desnecessária.