Notas de um jovem rabugento
Ultimamente, tem sido cada vez mais difícil criar relacionamentos duradouros, quaisquer sejam. Introvertido que sou, penso, delibero, busco achar uma resposta; e ela, talvez, esteja justamente nessa característica, já que a experiência de relações quase todas voláteis sugere que seja assim a tendência das próximas.
É típico de pessoas introvertidas julgar mal aquelas que não o são, isto é, as extrovertidas, como sendo superficiais. Isso porque, caso geral, os extrovertidos tem na ação a seu prazer, falam para só depois pensar, além de serem bastante sociáveis e transmitirem alegria. Algo que nós, introvertidos, muitas vezes louvamos (porque os extrovertidos são carismáticos e parecem sempre ter respostas na ponta da língua), mas, noutras, detestamos (“por que esse ela não para de falar?” ou “por que esse sujeito não pensa antes de falar?”).
Edward Hopper – Automat.
Nesse contexto, pessoas muito falantes aparentam ser frívolas, mesmo que não o sejam. A propósito, conheço pessoas extrovertidas por quem nutro grande respeito por suas ideias e, também por isso, considero-as amigas. Contudo, são poucas, e acho que essas são sui generis — gosto de quem tem esse traço de personalidade, mas dificilmente a ponto de transformar em uma estável relação de amizade ou afeto amoroso, posto que tenho considerável estima pelo mistério e pelas descobertas. Assim, busco pessoas com o mesmo defeito (ou qualidade, dependendo de quem julga) que eu: o apreço pelo silêncio, pela geração de idéias e possibilidades, pela reflexão. Decorre que meus melhores amigos são, via de regra, pessoas assim, reservadas.
É claro, especialmente para quem me conhece: não sou totalmente introvertido e, tampouco, alguém não-sociável. Como diz a teoria, embora existam pessoas extremamente introspectivas ou extrovertidas, geralmente se flutua entre esses dois polos. Eu tenho meus momentos de sociabilidade, que, oportuno, tem melhorado ao longo do tempo, mas sou geralmente do primeiro grupo. Sou ciente, aliás, de que pessoas com minhas características não são melhores, nem piores, do que as demais.
A realidade é que, mesmo sabendo disso, pareço abdicar de tentar abrir espaço à diferença. Ainda que não seja isso racional, senão decorrência de natural apatia, meu desdém a pessoas efusivas tem se potencializado. Ademais, enfim: não sou um misantropo, embora a cada dia esse adjetivo me assuste menos.
Tudo bem? Vi o seu link nos favoritos do blog o qual divido os posts com minha amiga. Bem legal. Mas vou discordar de ti. Olha, sou uma pessoa bem extrovertida, mas nada de efusiva, pessoas assim são as ditas fiasquentas que ninguém tolera. E me considero inteligente o bastante para pensar antes de falar. Meu marido é introvertido, acho que duas pessoas iguais, introvertidas não daria certo, ops! Minha opinião, claro! Vi, pelo que li, uma pessoa bastante sensível e intelectual. E um tiquinho, talvez, preconceituoso? Deve-se conhecer para julgar. Pessoas efusivas ou introspectivas demais são igualmente dificeis de tolerar. Aceitemo-nos e só! Beijos em seu coração.