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Brasil: Passado e Desafios Futuros

O último dia da Semana Acadêmica comemorativa do centenário do DAECA contou com a ilustre presença do presidente do IPEA, Marcio Pochmann, para falar sobre o tema “Perspectivas para os próximos 100 anos”. Humildemente (e sabiamente), o economista se esquivou da pretensão de ser, digamos, “guru”, e tratou de traçar um panorama histórico dos últimos tempos do Brasil e algumas possibilidades e desafios a serem enfrentados nos próximos anos.

Inicialmente, Pochmann deu um breve relato sobre sua vivência na militância estudantil do DAECA, salientando que o engajamento faz parte do desenvolvimento do estudante, ainda que isso só seja notado no futuro. Isso posto, comentou sobre a ausência de revoluções no Brasil, sejam burguesas ou socialistas, frisando que, aqui, “o novo coexiste com o velho”. Segundo ele, embora tal conciliação de interesses leve consigo o aspecto positivo da ausência de conflitos em grande escala, tampouco reformas significativas são feitas, já que pressupõem um determinado nível de organização social — inexistente, pois.

A propósito, a própria formação de uma sociedade civil urbana é um fato relativamente recente na história do país. Pochmann comenta que, à época da criação da CLT (essencialmente direcionada à população urbana), dois terços da população vivia no campo. O “novo”, então, nasce nas cidades. Aí insere-se, inclusive, a formação das universidades — e, por conseguinte, uma maior preocupação com a educação, embora, segundo ele, nossa república ainda não tenha real compromisso, para além do discurso, com o tema. Uma afirmação interessante (ao menos para mim) foi a de que é irracional alguém começar a trabalhar antes dos 24 anos, sem que tenha concluído sua educação formal. Porém, infelizmente, é a realidade de grande parcela da população, segundo ele mesmo colocou.

Pochmann: transição para sociedade pós-industrial é um desafio

Pochmann: transição para sociedade pós-industrial é um desafio

O desafio educacional, então, insere-se no conjunto de desafios a serem enfrentados pelo brasileiros nos próximos anos. Além dele, Pochmann citou alguns outros:
a) necessidade de moeda de curso internacional, criando certa independência das moedas internacionais;
b) o problema da ausência de um sistema de defesa nacional;
c) desenvolvimeto tecnológico, no tocante à pesquisa e desenvolvimento (tanto em empresas quanto em universidades);
d) envelhecimento populacional e diminuição da população a partir de ~2030, com todos os problemas intimamente associados;
e) transição da sociedade de trabalho material (agricultura, pecuária, indústria) para a de trabalho imaterial (terceiro setor): Pochmann defendeu que não havendo mais um local específico de trabalho, exerceremos (ou exercemos, na verdade) o trabalho em praticamente todos os momentos e lugares, de modo a dar “adeus ao descanso”.

Este último aspecto foi comentado também quando um colega perguntou sua opinião a respeito dos desafios a serem enfrentados no campo da previdência social — sobre a qual anteriormente tinha dado a entender que, no fringir dos ovos, o valor do benefício é razoável, se comparado aos salários em geral. Pochmann acrescentou que observava certa alteração na natureza da mesma. Indagou: o que será a inatividade no futuro, já que, hoje, um terço daqueles com idade para tal, segue trabalhando?

Em seguida, a rica e no mínimo instigante exposição de Pochmann foi finalizada; ato contínuo, encerrou-se a semana acadêmica, sob merecidos aplausos. Sem dúvida, foi uma experiência gratificante e edificante para todos que participaram, tirando de uma zona de conforto intelectual e incitando os debates de corredor e bar. Para onde eu e alguns colegas fomos, aliás — afinal, confraternizar também faz parte do desenvolvimento do estudante. ;)

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Espero que este e os demais resumos possam ser úteis e interessantes àqueles colegas que não puderam comparecer ao evento e aos demais visitantes deste blog. É provável que pontos importantes tenham sido omitidos, por pura e simples inabilidade deste que escreve. Então, toda contribuição ou comentar é muito bem-vinda.

Por fim, deixo meus sinceros parabéns aos amigos que organizaram, excelentemente, o evento.


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Notas de um jovem rabugento

Ultimamente, tem sido cada vez mais difícil criar relacionamentos duradouros, quaisquer sejam. Introvertido que sou, penso, delibero, busco achar uma resposta; e ela, talvez, esteja justamente nessa característica, já que a experiência de relações quase todas voláteis sugere que seja assim a tendência das próximas.

É típico de pessoas introvertidas julgar mal aquelas que não o são, isto é, as extrovertidas, como sendo superficiais. Isso porque, caso geral, os extrovertidos tem na ação a seu prazer, falam para só depois pensar, além de serem bastante sociáveis e transmitirem alegria. Algo que nós, introvertidos, muitas vezes louvamos (porque os extrovertidos são carismáticos e parecem sempre ter respostas na ponta da língua), mas, noutras, detestamos (“por que esse ela não para de falar?” ou “por que esse sujeito não pensa antes de falar?”).

Edward Hopper – Automat.

Nesse contexto, pessoas muito falantes aparentam ser frívolas, mesmo que não o sejam. A propósito, conheço pessoas extrovertidas por quem nutro grande respeito por suas ideias e, também por isso, considero-as amigas. Contudo, são poucas, e acho que essas são sui generis — gosto de quem tem esse traço de personalidade, mas dificilmente a ponto de transformar em uma estável relação de amizade ou afeto amoroso, posto que tenho considerável estima pelo mistério e pelas descobertas. Assim, busco pessoas com o mesmo defeito (ou qualidade, dependendo de quem julga) que eu: o apreço pelo silêncio, pela geração de idéias e possibilidades, pela reflexão. Decorre que meus melhores amigos são, via de regra, pessoas assim, reservadas.

É claro, especialmente para quem me conhece: não sou totalmente introvertido e, tampouco, alguém não-sociável. Como diz a teoria, embora existam pessoas extremamente introspectivas ou extrovertidas, geralmente se flutua entre esses dois polos. Eu tenho meus momentos de sociabilidade, que, oportuno, tem melhorado ao longo do tempo, mas sou geralmente do primeiro grupo. Sou ciente, aliás, de que pessoas com minhas características não são melhores, nem piores, do que as demais.

A realidade é que, mesmo sabendo disso, pareço abdicar de tentar abrir espaço à diferença. Ainda que não seja isso racional, senão decorrência de natural apatia, meu desdém a pessoas efusivas tem se potencializado. Ademais, enfim: não sou um misantropo, embora a cada dia esse adjetivo me assuste menos.


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Instabilidade e Progresso

Dentre as não muitas qualidades que tenho, acho que a de que mais me ufano é minha capacidade de mudar de opinião. Não trato aquilo que digo como verdade absoluta e até pelo contrário: diversas vezes me pego pensando se aquilo que falei está certo, sob meu ponto de vista. E isso, na maioria das vezes, é mal-interpretado.

Percebo que, no intuito de facilitar o entendimento, a maioria das pessoas reduz um pensamento com diversas variáveis àquilo que é dito, sem perceber o extenso raciocínio que há por trás. Desse modo, uma mudança de opinião pode ser vista como mudar “da água para o vinho” ou vice-versa quando, em verdade, não passa de uma pequena mudança na construção da ideia — o que, é claro, pode alterar completamente a ideia última, aquela que é falada e divulgada.

Glenn Brady — Goodbye Letters on the Bridge.

Ainda assim, não é que eu mude de opinião do dia para a noite, embora isso às vezes aconteça. As mudanças são geralmente lentas e graduais, como deve ser todo progresso. Isto é, sem grandes revoluções, mas uma evolução bem alicerçada e corajosa. Sim, pois emitir uma opinião gera expectativas — espera-se que o comportamente posterior seja fiel àquilo que é dito. Ao negar o que fora falado, a incompreensão (ou o incômodo gerado pela não-linearidade da opinião e da ação) decepciona e isto, decepcionar quem quer que seja, é algo de que todos fogem.

Conheço muita gente que segue defendendo uma bandeira pelo simples fato de tê-la defendido no passado e ter sua imagem ligada a ela. É como se negassem a própria evolução, raciocínio e aprendizado para que o seu círculo de amigos e conhecidos não os trate como “traidores” ou, tão usual quanto, como “pessoas sem opinião”. No fim, para não admitirem a própria mudança, tornam-se hipócritas ressentidos. Não me parece um caminho lá muito feliz.

Destarte, prefiro, nisso tudo, vagar com a pretensa liberdade que temos para pensar e mudar as formas de ver e perceber sempre que assim entender. A partir do momento em que realmente se tem consciência de que verdades absolutas não existem, aprende-se a relativizar, a colocar o próprio pensamento (e ego) no lugar merecido: um meio, não o objetivo. Relevante, mas não fim último.


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Lassidão

De tempos em tempos, faço reflexões a respeito dos rumos que minha vida têm tomado. Talvez todas as pessoas façam isso, não sei, mas suspeito que a maioria tenha ideias mais ou menos claras quanto às suas ambições.

Quanto a mim, no momento, não tenho a mais ínfima noção sobre como, onde e de que forma estarei daqui a seis meses, um ano. Noto cada vez mais claramente que pouco tenho evoluído nos últimos tempos em questões que julgo essenciais, a saber, cultura e comprometimento.

Tenho emburrecido, e só posso culpar a mim mesmo por isso. Uma vida desregrada cobra logo ali, adiante. Percebo, no entanto, que, neste momento,  a cobrança vem apenas de mim — surpreendentemente, o mundo à volta tem dado algumas mostras de que as virtudes conquistadas no passado são reconhecidas hoje, no presente.

O cerne da questão, assim, é: e quando essas mesmas virtudes já não forem suficientes, necessitem de adendos que não foram acrescidos? Não vejo outra forma de responder a isso senão iniciando, já, uma pequena revolução. Que, afinal, nem é tão revolucionária — basta voltar a ser o que outrora já fui.

Volto em breve, e melhor.


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