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Champagne e caviar (em 10x sem juros)

Dentre as muitas atitudes que considero ridículas, acho que a ostentação é a que melhor representa a futilidade da sociedade, sobretudo da cidade em que nasci. Uma sociedade que se deslumbra consigo mesmo e vangloria-se dos méritos que não possui. Pois, um conjunto de pessoas que sente necessidade de utilizar grifes para mostrar-se bem-sucedido e interessante pode ser qualquer coisa, menos digno de interesse e superior.

É bom deixar claro: absolutamente, não sou contrário às marcas. Prefiro Coca-Cola, gosto de boas roupas e perfumes, mas há uma clara diferença entre preferir algo e não ter consciência além da ideia vendida na propaganda da televisão. Se gosta do design da Adidas, ótimo; se prefere outra marca, Nike, Diadora, Armani, algo mais alternativo, sei lá, tanto faz, que seja feliz com seu estilo e consciência.

O detalhe é que, geralmente, tal escolha não se faz pelo estilo ou qualidade, mas simplesmente pelo preço. Enquanto vemos pessoas que têm dinheiro e são simples, vemos também, e mais ainda, outras que hipotecariam a casinha do cachorro para poder comprar uma camiseta de marca.

Aparência é importante, sim — todas as pessoas querem conforto ou, mesmo, luxo. Porém, questiono: é essencial, superando ética, valores e uma certa dose de inteligência?

Tenho alguns julgamentos, e até preconceitos, com relação à soberba — para mim, a ostentação serve para maquiar uma ausência brutal de conteúdo e fantasiar mais sucesso (ou, até, fantasiá-lo completamente). Curioso é que, para a maioria das pessoas, tais modos são bem-vistos. Quer dizer: no fim, talvez a arrogância seja uma virtude moderna e eu não sabia.


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Ateus crentes

Sempre fui um pouco relativista nas minhas opiniões, especialmente para aqueles assuntos polêmicos e para os quais a “prova” de uma verdade é inteiramente baseada em uma convicção não necessariamente racional. Nesse mesmo sentido, tenho feito algumas reflexões (admito, não muito profundas, como sempre) a respeito de religião. Eu sou ateu, caso meu eventual leitor não saiba; mais especificamente, na verdade, um agnóstico ateísta. Isto é, eu não acredito em Deus, mas não nego a possibilidade de que Ele exista — acho remotíssima, mas, vá lá, “há mais mistérios entre o céu e a terra do que julga nossa Filosofia”, não é?

Pois, tenho em meu círculo de amigos muitos agnósticos e muitos ateus convictos. Ateus daqueles de acharem um absurdo completo as pessoas, em pleno século XXI, acreditarem que possa haver qualquer ente metafísico regulando e sendo juiz de nossas ações. Não os interpelo, justamente por achar que o assunto não merece discussão, senão fé. Simplesmente evito entrar na discussão, enfim. Porém, na maior parte das vezes, penso, e guardo para mim, que eles agem com uma paixão tão desmedidamente religiosa quanto aqueles contra quem desferem suas críticas, a saber, os padres e pastores.

Sim, porque há ateus que são, para usar um eufemismo, uns chatos. Levam ao pé-da-letra o mantra religioso que preconiza que “para que eu seja salvo, tenho de crer naquilo que tu acredistas”. Ou, no falatório dos nossos ateus militantes, para que a vida seja salva, não se deve acreditar. Os chatos-ateus, eles têm sua verdade e, paradoxalmente, seu todo-poderoso: o não-Deus. Uma geração que leu Nietzsche, ou melhor, decorou Nietzsche, e acha que pode matar Deus todos os dias e que acham os velhos, ah!, os velhos religiosos, eles são uns “bocós”. Não têm a mente nem bem feita, ainda, veneram o Zaratustra assim como o cristão faz com a Bíblia, mas recriminam pessoas simplesmente por crerem que haja algo além deste mundo em que vivemos.

Minha opinião sobre esse respeito é quase que tangente: sinceramente, não estou nem aí para o que as pessoas, em geral, crêem [aliás, estou perdendo tempo por não abrir uma Igreja qualquer], contando que não me incomodem. Conheço uma porção de gente que teve sua vida literalmente salva por causa de religião. Como vou atacar a crença dessas pessoas? Como vou dizer que elas seriam mais felizes se não cressem num Deus que, supostamente (ou não), não existe? Quem sou eu para dizer isso, aliás? “Cada um crê naquilo em que acredita… ou no que lhe convém”, diz um velho, caduco, quase, ditado.

Acho, como os ateus dizem achar, que religião não deve ser discutida, assim como paixão clubística no futebol. Acho que deveriam parar de incomodar os teístas, e vice-versa. Que cada um tenha para si a sua verdade. Deixem que os crentes vivam como acharem melhor, afinal.

Quanto a mim, mantenho minha posição: não creio. Mas, e daí, quem se importa? Deus?


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