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O Papel do Estado

O terceiro dia da Semana Acadêmica do DAECA reservou um especial debate entre os profesores Ronaldo Herrlein Jr. e Sabino Porto Jr. sobre a questão do Estado na Economia. Os dois pertencem a correntes do pensamento econômico um tanto difusas, o que por si só já era um indicativo de que haveria um bom número de opiniões discordantes. Foi o que aconteceu, de certa forma, servindo para animar a plateia (que parecia emular torcidas de futebol em determinados momentos), embora as opiniões tenham acabado por convergir em diversos pontos.

O professor Ronaldo iniciou sua explanação traçando um panorama histórico sobre a justificativa da existência do Estado, seu papel decisivo nas formas de capitalismo que coexistem ao redor do mundo, além de salientar sua importância ao desenvolvimento brasileiro, sublinhando a contribuição da Getúlio Vargas. Acrescentou que se o Brasil pode hoje sonhar em ser atuante no cenário internacional, é devido às transformações realizadas e inspiradas por Vargas ao longo do século XX. A década presente, então, seria a primeira da história brasileira em que houve crescimento da Economia sem que houvesse concentração de renda entre os mais ricos. Boa parte dos méritos seriam das políticas de distribuição de renda de FHC-Lula.

Lord Keynes

Keynes: dedo do Estado

Sabino tratou de deixar a exposição um pouco mais quente. Para ele, o Estado se justificaria devido às falhas de mercado e a manutenção da democracia (e liberdade, por conseguinte). Porém, o próprio Estado falha — e, além do mais, as falhas do Estado são bem mais profundas. Dois: o Estado não tem como agregar preferências individuais, mesmo que completas e transitórias, e transformar em uma função de preferência coletiva. Então, até mesmo a democracia, que seria a maior justificativa para a existência do Estado, é falha (vide Paradoxo de Condorcet).

Assim, em um cenário em que o mercado falha, o Estado falha e a democracia falha, qual é o caminho a seguir? Segundo o mesmo professor, o debate que ainda existe no Brasil, entre “mais Estado ou menos Estado” é medíocre: o caso é, sim, em que situações e como o Estado deve agir. A atuação do Estado deve ser tal que incentive que indivíduos livres convirjam para um objetivo (estatal e coletivo), não necessariamente com atuação direta — mas, também, sem demonizá-lo no caso de ela ser necessária.

Lord Keynes

Ludwig von Mises e Hayek: dedo da mão invisível (nenhum sentido)

Após perguntas de colegas de curso, o Ronaldo expôs uma visão à esquerda do chamado Estado mínimo: “quanto menos poder for dado ao Estado e for mantido na sociedade, melhor”, mesmo que ele próprio, suspeito, prefira um Estado mais atuante. Sabino acrescentou que muitas pessoas vêem o Estado como se fosse um ente material, o que, definitivamente, não é: “Estado não é patrimônio, mas, sim, regras e contratos. Cabe melhorá-los”. Transcorreu-se uma exposição sobre a meritocracia dentro da esfera estatal (que, pareceu-me, ambos concordaram ser a mais justa).

Finalizado o debate, restou para mim que, independente da ideologia de cada um, foi uma discussão de ótimo nível. Gosto da forma com que o Ronaldo expõe suas ideias, preferindo a sensatez à pura ideologia. E, por fim, a explanação do professor Sabino reflete muito daquilo que penso a respeito do tema. A questão é mais a eficiência do Estado do que propriamente a não-existência ou minimização dele. Volto ao tema numa outra ocasião, certamente.


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A promessa e o (não-)cumprimento

Agências de publicidade, via de regra, vocês certamente sabem, prometem cuidar totalmente da comunicação de seus clientes, conhecendo seus negócios, seus clientes, seus mercados e, assim, tornando certeira a propaganda e todos os “que tais” provenientes. Acho espetacular, realmente, essa intenção — no caso, evidentemente, de não ser mal-intencionada.

O problema reside, contudo, na aplicação prática, na execução, dessa ideia. Ora, como é possível que se fique o dia pensando em estratégias diferenciadoras para o cliente se, ao cabo, o que se recebe é pela veiculação da peça, por melhor ou pior que ela seja?

Exemplificando: em projetos maiores, costumamos despender (sim, eu trabalho em uma agência, apesar de não ser um publicitário) um maior número de horas para pensarmos na melhor solução — possível — para a campanha do cliente. Comumente, essas horas de pensamento e dedicação são sequer notadas pelo anunciante, de modo que o que se recebe é o mesmo que uma campanha mixuruca. E cabe lembrar, para colocar mais pontos à baila de discussão, que a agência de publicidade também necessita de resultados (financeiros, leia-se), de modo que se torna inviável agir de modo aderente e penetrante na cultura da empresa aos níveis de remuneração pagos. Céus!, não parece isso tudo impraticável?!

O problema final não é outro senão de coerência: ou cumpre-se o afirmado ou não se promete além da capacidade. É tão óbvio que até angustia. Ainda assim, a maioria das agências tradicionais de propaganda segue oferecendo mágicas ao preço de simples truques de cartas, vendendo quadros de Frida Kahlo quando só pode entregar obras do caricaturista da esquina.


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