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Sobre a aleatoriedade dos meus estudos

Particularmente, julgo ser uma pessoa contestadora, insaciável no que se refere a referências e experiências. Busco as mais diferentes formas de inteligência, incluindo aí Música, Política, Artes, Cinema, Oratória e Literatura (inteligência linguística), Esportes (cinestésica), Filosofia (intrapessoal e interpessoal) e Lógica-matemática.

Por isso, estudo assuntos aparentemente díspares como Existencialismo e Microeconomia, vejo e analiso vídeos de futebol, tênis de mesa e basquete, reflito Schopenhauer ouvindo Ok Computer, do Radiohead, ou Beatles, ou Alice in Chains ou até Mozart. Levo na mochila um livro em Espanhol, mesmo que ainda me esmere por um bom Português. Sou um tanto empirista: acredito que o aprimoramento dos gostos* e da cultura vêm com a experimentação das mais diferentes formas de arte e manifestação. Sem dúvida, minhas inclinações musicais e literárias são muito mais refinadas do que há 5 anos; certamente, estão muito aquém daquelas que terei aos 30.

Já me questionaram diversas vezes “para que serve isso tudo?”. Nada objetivo, não espero uma promoção no emprego por saber que O Grito é uma obra-símbolo do Expressionismo, que Camus era goleiro no futebol, que Lévi-Strauss construiu uma nova percepção a partir de estudos com tribos indígenas brasileiras. O que faço é por simples deleite, sem precisão alguma, sem aspirações outras que não sejam ser uma pessoa interessante e com conteúdo para os mais diversos grupos de pessoas com que compartilho gostos.

O “interessante”, em questão, não significa ser um sujeito cheio de verdades, e antes pelo contrário: é para mexer com as ideias sedimentadas, para provocar, para incitar debates. É para me reinventar, fugir de mim e me encontrar. De preferência, melhor do que antes.

* Sugiro muito fortemente a leitura da profunda, inteligente e bem-vinda série que a Charô vem divulgando no blog dela: http://charo.com.br/.

** Escrito há muito tempo e postado sem revisão. Sorry.


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Diálogo com o tempo

Daqui pro futuro falta só um piscar
Que é pro tempo não mais nos enganar

Pato Fu — A Verdade Sobre o Tempo

Não costumava sonhar, talvez por pouco dormir. Ultimamente, porém, tenho tido alguns bem curiosos. Terça-feira passada, então, tive um sonho um tanto quanto surreal: nele, um grande relógio de parede conversava comigo, como que me censurando pelo mal uso que faço do tempo, meus atrasos, e exigindo outras coisas que não consigo, consciente, recordar.

Bizarro.

Ainda sonolento do acordar, lembrei, imediatamente, da pintura A Persistência da Memória, de Salvador Dalí. Talvez fosse um daqueles relógios retratados ali, o relógio do meu delírio. Ou, ainda, o relógio sem ponteiros sonhado por Isak Born em Morangos Silvestres, filme maravilhoso de Ingmar Bergman, querendo mostrar tudo aquilo que abdiquei de viver. Penso dizerem muito sobre a existência, em geral e sobre a minha, em particular, essas referências.

Salvador Dalí — A Persistência da Memória.

Juntamente com assuntos relativos à liberdade, acho que o tempo é uma das questões sobre a qual mais “filosofei” na vida, sem nunca ter chegado perto de fechar questão sobre a indagação essencial (“afinal, o que é o tempo?”). Muita gente mais competente no pensar que eu já teorizou sobre esse tema metafísico (ou ontológico), sem haver qualquer definição consensual. Seria o tempo contínuo, cíclico, uma ilusão…? Jamais haverá explicação que não seja contestada por outra, mas o simples pensar já revela alguma preocupação latente.

Sobre o sonho em si, um certo Freud já teorizou sobre seus significados e o Google me fez saber que sonhar com relógios, segundo essa teoria, significa angústia com o rápido passar do tempo. Faz sentido e, a propósito, a releitura de meus últimos textos aqui publicados revela, de fato, uma aflição, por assim dizer, com a efemeridade e anseios juvenis decorrentes.

Sonho de Isak Born em Morangos Silvestres (Bergman).

O meu relógio talvez não fosse amedrontador para que eu não acordasse, mas tampouco era aprazível, possivelmente para que eu não me aquietasse. Afinal, por mais que procure não desperdiçar o tempo que tenho, sinto perdê-lo. Quiçá o tédio comigo próprio — advindo de atitudes cada vez mais previsíveis, quando não de verdadeira inércia — esteja dando velocidade ao tempo, de modo que os dias, meses e anos, pareçam abreviados, vazios em conteúdo.

Mais ainda, mesmo que haja um verdadeiro esforço por não me preocupar demasiadamente com o passar dele, mas aproveitá-lo, parece que essa noção de brevidade castiga meu inconsciente tanto quanto minha consciência. Algo que, se eu fosse psicólogo, poderia melhor explicar. Contudo, ainda que sem explicação, o sufoco permanece.


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