A promessa e o (não-)cumprimento

Agências de publicidade, via de regra, vocês certamente sabem, prometem cuidar totalmente da comunicação de seus clientes, conhecendo seus negócios, seus clientes, seus mercados e, assim, tornando certeira a propaganda e todos os “que tais” provenientes. Acho espetacular, realmente, essa intenção — no caso, evidentemente, de não ser mal-intencionada.

O problema reside, contudo, na aplicação prática, na execução, dessa ideia. Ora, como é possível que se fique o dia pensando em estratégias diferenciadoras para o cliente se, ao cabo, o que se recebe é pela veiculação da peça, por melhor ou pior que ela seja?

Exemplificando: em projetos maiores, costumamos despender (sim, eu trabalho em uma agência, apesar de não ser um publicitário) um maior número de horas para pensarmos na melhor solução — possível — para a campanha do cliente. Comumente, essas horas de pensamento e dedicação são sequer notadas pelo anunciante, de modo que o que se recebe é o mesmo que uma campanha mixuruca. E cabe lembrar, para colocar mais pontos à baila de discussão, que a agência de publicidade também necessita de resultados (financeiros, leia-se), de modo que se torna inviável agir de modo aderente e penetrante na cultura da empresa aos níveis de remuneração pagos. Céus!, não parece isso tudo impraticável?!

O problema final não é outro senão de coerência: ou cumpre-se o afirmado ou não se promete além da capacidade. É tão óbvio que até angustia. Ainda assim, a maioria das agências tradicionais de propaganda segue oferecendo mágicas ao preço de simples truques de cartas, vendendo quadros de Frida Kahlo quando só pode entregar obras do caricaturista da esquina.